Da Amazônia para o trio

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Vamos para o terceiro post consecutivo falando de reality show. Até parece que não tenho outro assunto pra colocar aqui – até poderia, mas nenhum deles é tão interessante quando este verão dos reality shows.

Amazônia, na Record, tenta mesclar entretenimento (é um reality show) com conscientização ambiental. Até agora não conseguiu, primeiro porque realmente acho que inserir conscientização dentro do entretenimento é uma grande arte ainda não dominada, segundo porque a edição está contemplativa demais, terceiro porque as intervenções em off do Victor Fasano são sempre com aquele jeito de narração de documentário chato. Então fica com mais cara de uma grande excursão do que propriamente um reality show, ainda mais que, sendo de “pontos corridos” e portanto sem eliminação, se a direção do programa não criar situações de tensão entre as equipes e entre os participantes individualmente, vira um grande acampamento de férias. Sobra discurso hippie-chic e falta entretenimento; numa emissora de TV fechada talvez não fosse tão grave, mas não há reality em TV aberta que se sustente assim.

(Ah. Natália Guimarães, se espirrar saúde)

E tem a grande surpresa da temporada, descoberta pelo Hugo Avelar, que é O Trio Reality, feito pela TV Aratu, de Salvador. O “primeiro reality show da Bahia” junta dois anônimos e quatro famosos durante 30 dias, dentro de um trio elétrico, participando de provas e correndo atrás do prêmio de 30 mil reais. A junção do inusitado (um reality show regional, num país em que as emissoras locais são meros carregadores da programação nacional, com espasmos de infomerciais e jornalismo popularesco local), da criatividade (um reality num trio elétrico às vésperas do carnaval), das limitações financeiras (é de se notar que houve esforço da produção, mas sempre tem a velha máxima “sem ovos não se faz omelete”, então fica aquela impressão de que o mobiliário interno foi comprado na Insinuante) e da diversidade dos candidatos (além da sensacional Leo Kret do Brasil, tem Rosiane Pinheiro e sua interminável bunda, tem Rianne Ferreira e seus recados pras recalcadas, tem Guga de Paula e seu ex-metade-do-axé-agora-tentando-axé-evangélico, e tem os dois desconhecidos, Werles e Ana Célia) gerou um reality que promete muito, de ser algo muito interessante de se acompanhar – e já começou na abertura, com uma dupla de apresentadores, digamos, “animada em excesso”. Se a TV Aratu não fizer alguma grande cagada na condução do programa, teremos uma boa surpresa para os amantes do gênero televisivo reality show.

O BBB que ninguém combinou com os russos

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Manoel Francisco dos Santos era um gênio popular na sua simplicidade. A sua pergunta para Vicente Feola na preleção do famoso Brasil x URSS da Copa de 1958 é a expressão máxima do problema que é fazer previsões e planos: “O senhor já combinou com os russos?”

Quando todos achávamos que o BBB 11 se arrastaria até a final, chegamos a uma das finais mais interessantes de todas as edições. No mínimo, porque teremos um vencedor diferente dos últimos quatro vencedores. Sim, Wesley continua sem se libertar da condição de decoração, mas não é Diego Alemão, não é Rafinha, não é Max Porto, não é Marcelo Dourado, não fala ao público que compra a embalagem do “vencedor perfeito” de Boninho, não fala às compradoras de Capricho (as “caprichetes”), não fala aos comentaristas do Tevescópio e da Scully (as “véias bingueiras”, na definição genial do RSFD); talvez até votem no Wesley por ser o “mais decente”, seja lá o que isto signifique, mas certamente o nefrologista fala mais às mulheres mais velhas, ainda mais depois que, sem a “namoradinha”, estendeu seus braços a Maria sem questões nem perguntas.

E, por falar nela… Maria foi portadora a grande transformação da edição ao virar Todas as Mulheres do Mundo. Maria estava destinada a ser mais uma gostosa que sairia logo para pegar uma capa de revista masculina enquanto o BBB estivesse no ar, mas a Casa de Vidro mudou tudo. A pressão de Ariadne e do público sobre Maurício, mostrando o passado de Dreamcam e Meg Melilo da moça e pintando-a como uma “mulher indigna dele”, garantiu não apenas uma tensão na volta do rapaz à casa, mas uma trajetória para Maria: de tentar reconquistar o ficante, de ser sistematicamente rejeitada por ele, de entregar os pontos, de flertar com a queda, da volta em novos braços, da vitória sobre o ex que a desprezou pelo seu passado (já que, lembremos, Maria não é “mulher direita”) e o público que o acompanhou na decisão. Acho (e só posso achar, já que não sou psicólogo e muito menos mulher) que a trajetória de Maria é a trajetória de muitas mulheres, e aí está a sua força nesta final.

E falta Daniel. Deixei por último porque é o vencedor moral desta edição. Daniel foi o dínamo desta edição, o que salvou o BBB 11 da modorra infinita. Não foi jogador como Talula, mas eliminou sozinho dois terços dos Três Patetas (Diogo e a segunda ida de Maurício); gerou momentos impagáveis e animados nas festas;  teve coragem de enfrentar a fórmula de Diogo de usar o pior dos vencedores anteriores. Não importa se vença ou não, o BBB 11 é a edição de Daniel.

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Réquiem para o BBB

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Se você me acompanha no Twitter, sabe que eu gosto de reality show. Acompanho BBB, A Fazenda, O Aprendiz, tentei acompanhar até Busão do Brasil. Nunca comentei direito sobre isso, aqui ou no Fudeblog. Mas enfim, depois de ontem acho que vale a pena umas palavras.

Creio que existem três momentos seminais na história dos reality shows brasileiros, daqueles que determinam como as coisas funcionam:

  1. BBB6 – o mais ignorado, o com menor audiência, e o que acontece quando se deixa a gravidade (entenda-se ‘público’) agir livremente. Uma colônia de férias. Uma chatice sem fim. Todo mundo bonzinho, fofinho, insosso, um troço artificial.
  2. BBB7 – quando Boninho finalmente conseguiu a fórmula do vencedor perfeito – homem, jovem, branco, heterossexual, macho-alfa, arrancador de suspiros, com uma namoradinha que aceita fazer o papel de bibelô e uma “proto-amante” voluptuosa pra servir de contraponto à namoradinha. Diego Alemão, Irislene e Fani Pacheco criaram o trio que se repetiria como farsa no BBB9 (Max Porto, Francine Piaia e Priscila Pires); o arquétipo do vencedor criado por Diego se repetiria em todos os outros BBBs dali pra frente (Rafinha, Max e Marcelo Dourado).
  3. A Fazenda 3 – quando a gravidade (leia-se o público) passou a agir ativamente na “BBB6-ização” dos realities. Depois de uma primeira semana que foi a melhor primeira semana da história dos reality shows brasileiros, doeu o coração ver as eliminações, uma por uma, dos responsáveis pela grande primeira semana, enquanto a fazenda se transformava numa chatíssima e insossa colônia de férias.

O BBB11 é o primeiro reality show moldado por estes três momentos – ou seja, em que o público manda uma mensagem clara que vai criar uma colônia de férias em que um macho-alfa saia vencedor, e se alguém tinha alguma dúvida, o recado foi dado ontem de forma inequívoca, depois de ter sido dado mais de uma vez (na repescagem, por exemplo).

A dúvida agora é qual dos três candidatos a macho-alfa (uma decoração, um que veio ao mundo a passeio e uma mistura do pior de todos os macho-alfa anteriores) será incensado pelo público, e se aparecerá uma “proto-amante”, já que existe uma “namoradinha”, pena que a barbie é tão incompetente que nem farsa da farsa consegue ser.

Enfim, acho que esse BBB11 é o início do fim dos reality shows com votação do público no Brasil. Quando o resultado se torna previsível, chega a hora de acabar com o espetáculo.

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