Phormando

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É uma daquelas coisas que só sabemos porque sai lá fora… talvez porque o personagem principal seja desconhecido aqui.

Entre 2007 e 2009, um dos casos mais rumorosos da internet envolvendo diversos ISP ingleses, incluindo a BT, e uma empresa chamada Phorm. Esta empresa vende um serviço de anúncios especializados e variando conforme a navegação, baseados em inspeção profunda de pacotes, para ISPs; chegou a fazer testes com usuários de ISPs ingleses.

O problema é que diversos grupos de defesa dos direitos dos usuários da internet apontaram que o sistema do Phorm é, na verdade, um gigantesco spyware; pior, o sistema é opt-out, ou seja, o dono do site tem que pedir à Phorm para retirar o site dele do sistema.

O sistema implementado pela Phorm gerou uma gigantesca polêmica no Reino Unido, envolvendo até a Comissão Europeia; um excelente resumo foi feito pelo The Register (em inglês) . No final, depois de toda a luta, os ISPs desistiram de implementar o sistema da Phorm.

E o que fez a Phorm depois disso tudo? Faz uma campanha de limpeza pública de imagem e vai vender seu peixe em países onde a proteção ao consumidor ainda é fraca e as leis de defesa do internauta inexistem – e, quando são propostas, tornam todo internauta um bandido sem cometer crime.

Desde setembro do ano passado que se especulava em grupos ingleses anti-Phorm da vinda da empresa para o Brasil. A empresa teria como parceira a UOL, uma empresa da Folha de São Paulo com a Portugal Telecom.

Ontem, do nada, aparece no IG esta notícia, que fala de um sistema de navegação personalizada, o Navegador, sendo testado pelo IG, pela Oi, pelo Estadão (que não falou nada sobre o assunto), pela UOL (idem) e pelo Terra (idem). Escondido no meio da notícia, para não ser achado, aparece a palavra Phorm.

Mas como a Phorm é acompanhada atentamente pela imprensa inglesa, hoje não escapou da musiquinha: a Phorm voltou, a Phorm voltou, a Phorm voltou.

É claro que a Phorm jura que mudou de tática, que aprendeu etc e tal (mas continua sob investigação da UE). É claro que a matéria do IG jura que o sistema é voluntário e que a navegação será anônima.

Mas é a Phorm. Eu não acredito. E você não deveria acreditar também.