Réquiem para um reality show aprendiz

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O meu primeiro contato com O Aprendiz foi no meio da primeira temporada. Em um dia de semana de 2004 fui fazer um bate-volta a trabalho e, ao chegar no bebedouro, todo mundo falava e discutia o episódio do dia anterior, uma versão corporativa-coxinha das conversas de segunda-feira sobre a rodada de futebol do domingo – basicamente a receita para que eu nunca mais prestasse atenção no reality show.

Só que a curiosidade sempre vence e lá fui eu assistir ao reality show corporativo. E fui gostando. E, apesar de um Roberto Justus cada vez mais personalidade da mídia, o programa foi melhorando e ganhando minha preferência e meu coração a cada temporada – a entrada de Walter Longo na terceira temporada, as salas de reunião cada vez mais ríspidas, disputa cada vez mais acirrada entre candidatos cada vez mais preparados, não ter o telespectador brasileiro votando em “coitadinhos” e outros atores do gênero. E, claro, o maior momento da história dos reality shows brasileiros.

Tudo vinha bem nas seis primeiras temporadas. No final da fantástica sexta temporada, todo mundo esperava uma sétima temporada ainda melhor… mas aí Roberto Justus vai para o SBT e começa a descida em alta velocidade.

Talvez como reflexo da absoluta confusão que tomou conta da Record (e, desconfio, da IURD) nos últimos dois anos, o escolhido foi João Dória Júnior. Escolha infeliz, que não tardaria a confirmar as piores impressões ao comandar a sétima temporada, uma das piores edições de todos os reality shows brasileiros, com um apresentador fraquíssimo e sem pulso, dependendo de Cristiana Arcangeli para “apertar” os candidatos e, em termos técnicos, um trabalho de edição preguiçosa e sem graça.

Aferrada à escolha malfeita e com sua criatividade sugada na confusão interna, a Record tentou salvar a oitava temporada da maneira mais fácil: com um Dória mais durão e um grupo de participantes escolhido mais pela sua capacidade de barraquear na sala de reunião que pela sua capacidade de empreender.

Não deu certo.

Em nenhum momento João Dória Júnior passou, genuinamente, a impressão de que realmente estava mais rígido. O trabalho de edição foi incrivelmente preguiçoso, jogando aleatoriamente imagens nas provas (e, em muitas vezes, sem dar chance ao espectador entender o resultado) para concentrar tudo em longos e intermináveis planos de discussões e barracos incompreensíveis na sala de reunião. E, claro, o inesgotável cabedal de chavões de auto-ajuda corporativa de João Dória Júnior, as chamadas SABEDÓRIAS. Tudo isso com a cerejinha-no-bolo de uma final desastrosa – e, o que é mais importante, sem o tradicional anúncio de uma nova edição para 2012.

Sim, Roberto Justus voltou à emissora da Barra Funda, mas agora está mais interessado em talk show; com os bispos colocando a vassoura atrás da porta para Dória, a Record tem a desculpa perfeita (não ter apresentador) para fazer o que deve ser feito: anunciar que O Aprendiz não volta em 2012.

Só é uma pena que o meu reality show preferido tenha acabado da maneira que acabou, com o show de horrores da final da oitava temporada.