Réquiem para o BBB

Se você me acompanha no Twitter, sabe que eu gosto de reality show. Acompanho BBB, A Fazenda, O Aprendiz, tentei acompanhar até Busão do Brasil. Nunca comentei direito sobre isso, aqui ou no Fudeblog. Mas enfim, depois de ontem acho que vale a pena umas palavras.

Creio que existem três momentos seminais na história dos reality shows brasileiros, daqueles que determinam como as coisas funcionam:

  1. BBB6 – o mais ignorado, o com menor audiência, e o que acontece quando se deixa a gravidade (entenda-se ‘público’) agir livremente. Uma colônia de férias. Uma chatice sem fim. Todo mundo bonzinho, fofinho, insosso, um troço artificial.
  2. BBB7 – quando Boninho finalmente conseguiu a fórmula do vencedor perfeito – homem, jovem, branco, heterossexual, macho-alfa, arrancador de suspiros, com uma namoradinha que aceita fazer o papel de bibelô e uma “proto-amante” voluptuosa pra servir de contraponto à namoradinha. Diego Alemão, Irislene e Fani Pacheco criaram o trio que se repetiria como farsa no BBB9 (Max Porto, Francine Piaia e Priscila Pires); o arquétipo do vencedor criado por Diego se repetiria em todos os outros BBBs dali pra frente (Rafinha, Max e Marcelo Dourado).
  3. A Fazenda 3 – quando a gravidade (leia-se o público) passou a agir ativamente na “BBB6-ização” dos realities. Depois de uma primeira semana que foi a melhor primeira semana da história dos reality shows brasileiros, doeu o coração ver as eliminações, uma por uma, dos responsáveis pela grande primeira semana, enquanto a fazenda se transformava numa chatíssima e insossa colônia de férias.

O BBB11 é o primeiro reality show moldado por estes três momentos – ou seja, em que o público manda uma mensagem clara que vai criar uma colônia de férias em que um macho-alfa saia vencedor, e se alguém tinha alguma dúvida, o recado foi dado ontem de forma inequívoca, depois de ter sido dado mais de uma vez (na repescagem, por exemplo).

A dúvida agora é qual dos três candidatos a macho-alfa (uma decoração, um que veio ao mundo a passeio e uma mistura do pior de todos os macho-alfa anteriores) será incensado pelo público, e se aparecerá uma “proto-amante”, já que existe uma “namoradinha”, pena que a barbie é tão incompetente que nem farsa da farsa consegue ser.

Enfim, acho que esse BBB11 é o início do fim dos reality shows com votação do público no Brasil. Quando o resultado se torna previsível, chega a hora de acabar com o espetáculo.

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One Trackback

  1. [...] todos achávamos que o BBB 11 se arrastaria até a final, chegamos a uma das finais mais interessantes de todas as edições. No mínimo, [...]

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