O real-time eleitoral

Ontem, Vox Populi, Bandeirantes e IG lançaram a primeira das pesquisas eleitorais diárias, o chamado “tracking”. E nunca mais a campanha eleitoral pública será a mesma.

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Primeiro, para equalizar, copio dois parágrafos da matéria do Último Segundo. Os grifos são meus e usarei como âncoras:

O tracking, modalidade de pesquisa tradicionalmente utilizada pelas campanhas eleitorais para identificar tendências na definição do voto, será divulgado diariamente pelo iG. Apesar de o sistema ser utilizado há mais de uma década pelos partidos políticos e campanhas eleitorais, os dados tradicionalmente não entravam no rol de divulgação dos veículos de comunicação.

O tracking Vox/Band/iG conta com 2.000 entrevistas, sendo que um quarto dessa amostra é renovada diariamente. Essa renovação permite identificar rapidamente as tendências de evolução das intenções de voto. A margem de erro do tracking é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

No primeiro parágrafo, chamamos a atenção para a utilização pelos partidos políticos. O tracking sempre foi a pesquisa utilizada pelos partidos e campanhas, já que permite se antecipar aos fatos e fazer alterações na campanha, sem esperar pelas pesquisas pontuais.

No segundo parágrafo, é importante observar a renovação diária da amostra, porque esta é a “mágica” que permite a antecipação das tendências.

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Até ontem, havia um descompasso de informações – o público tinha acesso apenas às pesquisas pontuais, enquanto as campanhas tinham os trackings.

Ontem, isso acabou. O público passou a ter acesso às mesmas informações das campanhas. O real-time eleitoral, as tendências de mudança de voto, estarão disponíveis para todos, e os interessados podem até tentar adivinhar futuros movimentos a partir das tendências mostradas pelo tracking, sem a necessidade dos intermediários. E as famosas “fofocas”, o “ouvi dizer que vai acontecer X ou Y na próxima pesquisa” vai se dissolver sozinho, já que serão confirmados ou não pelo tracking.

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Em termos comerciais, e portanto de construção de credibilidade junto aos futuros clientes, o Vox Populi deixou IBOPE e Datafolha em xeque – qualquer divergência muito grande entre os números do tracking Vox e das pesquisas IBOPE/Datafolha jogará contra os dois institutos maiores; portanto, o Vox passa a dar os trilhos numéricos das pesquisas.

Em termos jornalísticos, IG e Band conseguiram esvaziar o valor jornalístico de pesquisas que Folha, Estadão e Globo publicarem.

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Não por acaso, a cartada final do candidato do PSDB, de tentar ganhar as eleições no tapetão, foi também ontem. Melhor seria se o PSDB aproveitasse a derrota e tentar se reorganizar (que tal a sugestão do João Villaverde?), mas enfim, a transformação do PSDB em UDN do século XXI foi tão brutal que até o golpismo-por-falta-de-votos foi adotado.

One Trackback

  1. [...] post do real-time eleitoral me gerou uma bela provocação do Kov no identi.ca. Então resolvi levar a sério minhas tuitadas [...]

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